19 maio, 2011

Casamento e Juventude


Decidi descobrir cedo o que é formar uma família e saber porque isto vale a pena. Resolvi me casar aos 22 anos, casei-me aos 23. Apesar da manifestação de muitos sobre a precocidade dessa decisão e da grande responsabilidade na qual eu estava “me metendo”, concluí que esse era o meu tempo, era a minha vez.

Ouve-se por aí que a família é uma instituição divina e que Deus ama a família, mas percebo que poucos cristãos, tanto meus contemporâneos quanto os mais antigos, valorizam de fato a constituição de uma família como uma “província” do reino de Deus. Muitos acabam por encarar o casamento como a única fuga para a solidão ou um destino do qual não se pode escapar por causa da tradição. Sendo assim, muitos até dão o conselho: “aproveite sua juventude, case-se mais tarde!”

Uso a expressão província porque acredito que um lar é, além de muitas outras coisas, um nicho de fortalecimento para a vida cristã. Muitas virtudes precisam ser aprendidas e cultivadas na família e a partir dali “partimos” para os demais desafios do mundo. E nós cristãos, jovens ou velhos, precisamos crer nisto. É preciso entender que Deus trabalha nosso senso de comunidade de forma grandiosa dentro da família.

Este motivo e alguns outros me moveram a iniciar esta jornada. Optei por dedicar a energia da minha juventude à construção de algo que realmente acredito. Após dois anos de casamento tenho certeza, a cada manhã, de que não tenho desperdiçado minha vida e que a decisão de aproveitá-la a dois foi muito boa. Os passos tornaram-se mais firmes e seguros no caminho da vida familiar. Sim, é melhor serem dois do que um! Eu e meu marido somos fortalecidos pelo amor e serviço, pelas admoestações mútuas, pelas alegrias compartilhadas, pelo choro consolado e pelas dificuldades enfrentadas. São as peculiaridades da vida, mas vividas a dois.

Não afirmo, no entanto, que jovens devem se casar ao primeiro ímpeto de “este é o amor da minha vida”. Antes deve avaliar sua fase e história de vida, suas condições – especialmente as emocionais - a opinião da família, dentre outras coisas. O casamento é sim uma decisão séria que traz grandes desafios e exige maturidade.

Mas casamento e juventude não são incompatíveis. Especialmente se temos a verdadeira noção de virtudes como o domínio próprio, amor, lealdade e respeito. Se temos também a noção de que a permanência e a durabilidade são palavras nobres, diferentemente do que se diz por aí. É uma alegria poder desfrutar da juventude certo de que o casamento é para a glória de Deus e para que a glória de Deus seja proclamada às próximas gerações. Isso também é curtir a vida.

* Este texto foi publicado na edição 330 da revista Ultimato

06 maio, 2011

Sobre paixão, rotina, novela e vida real


Uma conversa que tive com uma amiga dia desses...

Continuar apaixonado

SE A VELHA fórmula final dos contos de fada “e viveram felizes para sempre” for entendida como “e nos cinqüenta anos seguintes eles se sentiram exatamente da mesma forma como se sentiram no dia anterior ao casamento”, então ela está dizendo algo que provavelmente nunca foi e nunca será verdade, que inclusive seria altamente indesejável se o fosse. Quem suportaria viver nessa excitação toda por cinco anos? O que seria do seu trabalho, seu apetite, seu sono, suas amizades? Mas, é claro que deixar de “estar apaixonado” não significa necessariamente deixar de amar. O amor, nesse segundo sentido – o amor como algo diferente de “estar apaixonado” – não é um simples sentimento. Trata-se de uma profunda unidade, alimentada pela vontade e deliberadamente fortalecida pelo hábito; reforçada (nos casamentos cristãos) pela graça que ambos os parceiros pedem e recebem de Deus. Os cônjuges podem alimentar esse tipo de amor um pelo outro mesmo naqueles momentos em que não se gostam; é o mesmo que acontece quando você se ama, mesmo quando não está gostando nada de si. Eles são capazes de manter esse amor, mesmo considerando que qualquer um deles possa facilmente se “apaixonar” por outra pessoa. Primeiro, o “estar apaixonado” os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado não passa da ignição que lhe deu partida.

– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2009)


Amiga: estas meditações do lewis tão me desiludindo

eu: por que? elas são tão boas

A: ah pois é

mas só dizem q a gente não vai ficar apaixonado o resto da vida, e pronto acabou

isso é triste

eu: haha

claro que não é

vc é que acha que a paixão traz felicidade

por isso parece triste

A: pior q eu acho

ai...triste

eu: "Primeiro, o “estar apaixonado” os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado não passa da ignição que lhe deu partida."

como vc pode achar isso triste?

é como ter medo de crescer

querer olhar a boneca com a mesma intensidade de uma criança

tá, é lindo ver a alegria de uma criança diante de uma vaca

mas por causa dessa intensidade elas tbm não aceitam as derrotas

e odeiam os irmãos por causa de coisas pequenas

a paixão dá calafrios, suspiros... e isso é legal

mas passa... passa sim

e uma certeza tranquila, e uma alegria de manhãs normais

de almoços rotineiros vem

e isso não é triste

pelo contrário, é uma certeza tão firme, tão feliz

a gente não precisa ter medo das continuidades e rotinas da vida... é novela que diz isso

as rotinas são divinas e felizes

se vc tiver gratidão no coração, é claro

A:pois é, eu acreditei na novela.

vou proibir minha filha (se um dia eu tiver uma) a ver novela!

kkk

eu: uma dose de fantasia sempre faz bem ao espírito


04 fevereiro, 2011

Eu me recuso




"Enquanto o tempo acelera e pede pressa. Eu me recuso, faço hora, eu vou na valsa. A vida é tão rara..." Lenine

*Foto da minha amiga Paula Mendes. É por onde passamos todos os dias pra ir trabalhar.

09 dezembro, 2010

Casamento




"Nosso casamento é a prova cabal de Deus de que o bem no mundo é maior e mais forte do que mal e de tudo aquilo que a gente possa temer."
(do marido)

14 outubro, 2010

#esperança

Rev. Elben chega de cabelo cortado.

Eu: Você está bonito Reve!
Ele: Ah, vocês estão querendo me animar na minha velhice...
Eu: O sr. é que nos anima na sua velhice...

Há esperança!

A guerra


As vezes fico observando essas guerras da vida. Como as da carne contra o espírito, da preguiça contra o esforço, da alegria contra a tristeza etc. Hoje vou opinar sobre a guerra entre o bom e o mau humor. Na verdade minha opinião cabe a qualquer uma das guerras mencionadas acima e as outras do mesmo gênero.

Tem dias que o mau humor parte pra cima do bom com um a força descomunal. O bom até tenta, grita, esperneia... mas a cena é como a de um pitbull e um pinscher, ou melhor de um cachorro com uma galinha: pena para todo lado. Me parece injusto. Por que tanta força de um lado? Dá vontade de dizer: "Ah mau humor, vai brigar com alguém do seu tamanho"

Alguém do seu tamanho... a questão está justamente aí. Perder para o mau me faz perceber que o bom anda meio franzino, fraco. Nem sempre a razão é esta, é verdade. Por vezes o mau vence por causa da circunstância, do dia ou da bendita (pra não dizer outra coisa) dor de cabeça. Mas é preciso ficar atento: alimentar o bom é importante, faz com que ele cresça e tenha chances contra o mau/pitbull. Ele pode, pelo menos, matá-lo engasgado.

15 setembro, 2010

Outra frase


A alegria é maior quando a união é firmada em Cristo e quando, como servos fiéis, nos regozijamos por seu senhorio e bondade.

31 agosto, 2010

Frase de um dia desses...

Tento fazer com que minha honestidade não ultrapasse a barreira da educação mas também não fique atrás da linha da covardia e da indiferença.

27 agosto, 2010

por aí





ando sem coragem, meio envergonhada...
quem sabe dia desses volto por aqui acreditando que, mesmo sendo aprendiz, tenho coisas boas a declarar...

* Foto: Meus pés registrados pela Liz

04 junho, 2010

Ore como você orou pelo Samuel

Um dos valores mais importantes da Editora Ultimato é a amizade. Entre a equipe, compartilha-se as notícias uns dos outros, as alegrias, as novidades, mas também as tristezas e as dificuldades. Foi com grande temor que recebemos, há algumas semanas, a notícia de que Samuel tinha um grave problema no pulmão. A preocupação veio logo depois da alegria do nascimento dele, o segundo filho da nossa colega de trabalho Romilda. Aproveitamos todos os momentos de oração em equipe para, juntos, rogarmos a Deus que livrasse o pequeno Samuel. Nossas orações foram atendidas, o quadro foi revertido e Samuel foi pra casa depois de três longas e dolorosas semanas.

Como por aqui também se compartilha as alegrias, recebemos na segunda-feira, 31/05, a visita de Samuel e Romilda aqui na editora. Eles vieram compartilhar a bênção no primeiro dia de oração pelas crianças em situação de risco. Isto não foi uma coincidência. Romilda foi convidada para contar quão importante foram as orações por Samuel e sua família naqueles dias desesperadores (palavras dela). A equipe foi então desafiada: “Ore como você orou por Samuel”.

A Editora Ultimato participa há oito anos do Mutirão Mundial de Oração pelas crianças e adolescentes em situação de risco. Este ano resolvemos orar pelo tema durante uma semana, aproveitando nossos momentos de oração nos intervalos do café. Os pedidos foram afixados em todas as portas da editora, uma forma de deixar a equipe atenta aos temas desta 15ª edição do MMO.

Mas afinal, por que orar como oramos pelo Samuel? Porque o Samuel era um de nós, filho de uma querida colega de trabalho. Porque o risco do perigo e da morte chegou muito perto e por isso oramos com muita fé e afinco. Porque muitas vezes oramos por crianças e adolescentes que sofrem como se eles fossem apenas figurantes desta vida, mas não é assim, o sofrimento é real, o risco é real. São crianças como Samuel que precisam das nossas orações, com toda a fé que for possível.

Encerramos o nosso mutirão no dia 04/06, orando em duplas no nosso jardim de oração.

(Texto escrito para publicação no blog da Editora Ultimato)

29 março, 2010

Quando o sofrimento torna-se estéril

Enquanto caminho pelos meus vinte e poucos anos, olho admirada aqueles que já estão caminhando “há mais tempo que eu” (já andei dizendo isso por aqui, eu sei!). É que permaneço convicta de que aprender com a experiência dos outros é algo importante para nosso crescimento. Uma das coisas que tenho percebido neste caminho é a maneira como as pessoas encaram e vivenciam seus sofrimentos.

Quando me deparava com pessoas felizes, dispostas e bem-resolvidas eu tinha a ingênua impressão de que elas não sofriam, ou pelo menos não passavam por crises significativas. Aos poucos fui percebendo que todas elas enfrentavam sim dificuldades, e boa parte delas eram mesmo grandes. E aí, passadas as visões heróicas, pude enxergar a humanidade de cada um, sua interessante forma de superação e, especialmente, aprendizado em relação aos dilemas e sofrimentos.

Mas vi também o oposto. Percebi pessoas que realmente passaram por problemas difíceis e grandes sofrimentos na vida. Mas que, por diversos motivos, se fixaram (ao que parece de forma definitiva) em suas dores. A princípio, ao ouvi-las lamentando é inevitável sentir uma grande compaixão por causa de toda aquela dor, mas depois de algum tempo a compaixão tem outro motivo: dói perceber que todo aquele sofrimento se tornou estéril.

Estéril por que no fim de tantas palavras repetidas por tanto tempo não há nenhuma mudança, aprendizado ou guinada no caminho. A vivência de tantas coisas se tornou apenas a razão para mais amargura e insatisfação. E assim, um sofrimento real se perde em discursos vazios e sem fim.

Sei que não posso medir o alcance ou o estrago que o sofrimento pode causar a alguém, não tenho esta pretensão. Mas ao olhar pra mim mesma e para outros exemplos, consigo crer que um novo olhar em relação ao sofrimento é possível e que se não resolvermos caminhar ficaremos perdidos nas palavras, palavras que já nem comovem mais e que não frutificam.

Que Deus tenha misericórdia de mim e me faça ter em meu sofrimento a possibilidade de colher frutos para uma vida mais saudável, pela graça Dele.

10 fevereiro, 2010

A alegria do autoconhecimento

Hoje me percebi entusiasmada com as possibilidades que o autoconhecimento me proporciona. É incrível como a observação da sua própria rotina pode revelar coisas impressionantes. Há dias, como hoje, em que fico animada em me conhecer mais, em sentir que me conheço, pelo menos razoavelmente bem. É bem verdade que há dias em que é péssimo enxergar as verdades que isto traz, mas vou deixar esta parte pra outro texto. Hoje quero falar do auto como uma coisa boa de se viver.

Certa vez, ao conversar com uma amiga já quarentona e cheia de vida, ouvi que sua mãe, esta já com mais de 75, incentivava que as filhas tentassem ao máximo se autoconhecer. E essa dica veio desde que elas eram bem novas. A sábia matriarca dizia que se autoconhecer as ajudaria a lidar com os altos e baixos do humor e da vida, ajudaria até na bendita TPM que atormenta a tantas mulheres. Ele, o autoconhecimento, ajudou a doce matriarca a lidar com um incômoda doença durante muitos anos de sua vida. Esse relato me marcou muito e me incentivou, ainda mais, a encontrar e descobrir detalhes em mim que me ajudariam a caminhar.

Digo tudo isso em meio a um sentimento de paz interessante. Há um mês tenho passado por insônias recorrentes que me deixam extremamente agitada (e sonolenta no dia seguinte) e também "re-encontrei" uma alergia antiga, de fundo emocional, que traz coceiras perturbadoras. Mas, ainda assim, sinto-me tranquila e firme em meus passos. Sinto verdadeiramente que isto, pelo menos em boa parte, é fruto de saber quem realmente sou, das minhas fraquezas, das minhas tendências e da certeza de que terei que serenamente lidar com tudo isto. Nem sempre dá certo, é verdade, mas consigo prosseguir...ah, e isto é uma vitória!

Não quero defender uma postura "em-si-mesmada" da vida, e muito menos uma atitude de autosuficiência. Pelo contrário, quanto mais me conheço, mais vejo o quanto dependo da graça de Deus para poder olhar pra minha alma e ainda assim não desistir. Ainda que o autoconhecimento me traga certa estabilidade e alegria, não é nele, mas sim em Deus que ancoro minhas mãos pra voltar a me equilibrar e caminhar depois de passos trôpegos.

Sou grata a Deus que continua a me ensinar através das coisas corriqueiras da vida e que me ajuda, não sei como, a me alegrar quando mergulho no meu ser e descubro como e quem realmente sou, e assim poder observar a vida com mais clareza e, quem sabe, simplicidade.

01 fevereiro, 2010

Faxina de novo!


Faxina também é vida



Tenho percebido ultimamente o quanto Deus tem me ensinado através das coisas corriqueiras da vida. Esses dias foi a vez de aprender coisas importantes com uma faxina.

O Rev. Elben diretor geral da Editora Ultimato e redator da revista, se encheu de coragem e permitiu que uma parte da equipe Ultimato desbravasse seu escritório e realizasse uma faxina histórica.

Ele precisou ter mesmo muita coragem para permitir que nós limpássemos e selecionássemos o que deveria ser jogado fora. Percebi o quanto isso era ousado quando uma de suas filhas me disse: “os papéis são a vida dele”.

Me encantei com essa capacidade de se “encher de vida” prestes a completar 80 anos. Isso é admirável! Quantas vezes postegamos as coisas porque pensamos ser tarde demais, ou porque não vale a pena recomeçar “a esta altura do campeonato”. Pois com ele é diferente, ainda há planejamento, expectativas e muitas coisas a se viver. Quanta vitalidade!

Confesso que esta abundância de vida é algo que me encanta. É um legado que recebo dos “velhinhos da minha vida” (entre eles incluo minha vó Nilsa) com muita alegria. É por isso que não concordo muito com afirmações do tipo “eles tem a mente jovem” ou “eles não são velhos, ainda são jovens”, acho que não se trata disso. Eles são o que são, tem a idade que tem, mas com uma disposição e coragem diferenciada. É bem verdade que os jovens podem até possuir uma vitalidade natural de sua idade, mas de nada adianta se esta não vier acompanhada de uma postura sensata diante da vida.

Mais uma lição aprendida (pelo menos eu espero): a abundância de vida não está, de maneira alguma, ligada à faixa etária à qual pertenço, mas sim à disposição de vivenciar a graça de Deus em todos os aspectos da vida.

Bendita velhice que abençoa e se deixa abençoar!

26 janeiro, 2010

Faxina Histórica

Precisamos admitir, é preciso ter coragem para encarar uma faxina de verdade, seja interior ou exterior. Pois há alguns dias o rev. Elben diretor geral da Editora Ultimato e redator da revista, se encheu de coragem e permitiu que uma parte da equipe Ultimato desbravasse seu escritório e realizasse uma faxina histórica.

Em seu escritório havia cerca de 7.000 livros, 50 bíblias de várias versões, centenas de revistas e pilhas intermináveis de papéis que incluíam manuscritos de livros já publicados, lembranças pessoais e de viagens, cartas e bilhetes escritos há vários anos (como a enviada a Zilda Arns em 2001), e-mails impressos, dentre outras coisas. Todos os livros e bíblias foram preservados, mas muitos papéis precisaram ir para o lixo.

Foram sete dias de intenso trabalho. Lenira, secretária do rev. Elben, chefiou uma equipe de sete pessoas que se revezaram neste tempo. A maior dificuldade, sem dúvida, era ter certeza de que o que estávamos jogando fora era ou não importante. Ouvíamos a todo instante as palavras dele: “Estou consciente de que há tesouros indo embora nestes sacos, mas preciso assumir este risco”.

Foi uma faxina histórica pois, além de muitos papéis preciosos que precisavam ser organizados, tratava-se uma permissão voluntária de um senhor apaixonado por seus papéis, mas um pouco incomodado pelo excesso, que precisou fazer um enorme esforço para se despedir deles. Ao longo da faxina ouvíamos comentários como “deixem pelo menos minhas bíblias”, “vocês vão querer me jogar fora também?”, o que tornava nossa tarefa divertida, mas também de grande responsabilidade.

Assim, mais de vinte sacos de lixo e muitas caixas cheias de papéis depois, um excelente resultado: um escritório limpo e organizado e um octogenário (talvez oitentão seja mais apropriado) saudoso pelas preciosidades certamente perdidas, mas feliz e aliviado, afinal, por mais que planejasse, ele não conseguiria “dar uma olhadinha” em tantos papéis.

Ao final da faxina, ele convidou toda a equipe de trabalho da editora para apreciar o feito e nos revelou que este (a organização dos papéis) era um de seus objetivos para 2010. Objetivo cumprido! O rev. Elben começou bem as comemorações de 80 anos de vida abundante. Viva a faxina!

09 novembro, 2009

Reflexão no salmo 1.1

Ensina-me a andar conforme o caminho traçado por Ti. Que eu não tome atalhos que são propostos por minha época e por homens da minha época. Que eu seja sóbria e pouco influenciável... pouco influenciável pelo mal, mas totalmente influenciada por Suas verdades. Que haja em mim a verdadeira prosperidade, aquela que traz sentido a uma existência vazia, aquela que é pautada em teus princípios e nesta era. E que a maior evidência de tudo isto seja uma vida absolutamente rendida a Ti e nada mais.

Amém!

04 novembro, 2009

Eternidade




Já chorei muito nessa vida. As vezes tenho a sensação de que choro muito por motivos corriqueiros e pouco por motivos notáveis. Isso faz com que me emocione com uma borboleta azul, mas permaneça quase inabalável em um velório. A verdade é que chorar me faz bem, quase sempre. Alivia o cansaço, dissipa um pouco a dor, externaliza minha alegria.

Quero falar aqui do meu último chôro. Sentada no carro enquanto o Marquinhos dirigia fiquei calada, o que é raro. Eu sentia naquele momento um misto de dor, saudade e alegria... não pude me conter. As lágrimas desciam pelo rosto e eu não sabia se as continha ou se me permitia aquele momento de chôro tão sincero.

Eu havia acabado de sair da casa da Tia Ruth, uma casa que me abrigou nos meus melhores e piores momentos em Caratinga. Lá fui acolhida (e esta palavra resume bem o que vivi ali) como filha e como irmã. Estávamos ali pra um encontro, que pra mim era como um evento - eencontrar minha família adotiva e minhas melhores amigas!

Durou pouco tempo, afinal, eu passaria ali uma eternidade. Por vezes sentia tudo aquilo intensamente, por vezes, me sentia expectadora de um presente que já não é mais tão presente.

E então, precisei me despedir. Dizer "até logo" (que não é tão logo assim) a pessoas que tanto amo. Foi aí que entrei no carro, que veio o silêncio e finalmente as lágrimas. Lágrimas significativas que não me deixam esquecer o quanto amo cada um desses amigos.

O carro não parou, nós não podíamos parar ou voltar... essa é a metáfora da vida, ela continua. Mas tenho comigo mesma um compomisso: vou perseverar para que meus poucos, mas sinceros, laços de amizade permaneçam. No que depender de mim, isso sim durará uma eternidade.

Nota:

Os amigos:
Camila - a irmanzona! ouvido, colo e apoio incondicional para todos os meus desabafos;
Flaviane - diversão garantida! autora das minhas piadas preferidas;
Juliana - nossa manhosa preferida! companhia indispensável;
Micheli - nunca vai! mas sempre está lá...a gente não consegue esquecer dela;
Tamara - meu lado B! 24 horas de convívio podem acabar com uma amizade, no nosso caso... fez ficar eterna.

*Tia Ruth - QUERIDA!!! Como é querida...
*Humberto - o irmão chato! Vive tentando me fazer acreditar que não gosta de mim. Mas eu nunca acredito!

PS: Chorei de novo ao escrever...

25 setembro, 2009

Manhãs de céu azul




Das coisas boas da vida
Das lembranças que tenho comigo
Guardo com muito carinho
A memória das doces manhãs de domingo

Acordar ao som de cânticos
Trilha sonora de uma manhã memorável
Onde os passos até o templo
Se tornam um caminhar mais que agradável

O sol entra pelas janelas
A comunhão é à luz natural
As crianças sorriem contentes
Em suas brincadeiras, alegrias...seu louvor matinal

O aprendizado é quase sublime
É a base de tudo que sou
Sinto Cristo em tudo, em todos
Uma união que mostra pra onde vou

Saio contente daquelas horas tão ternas
O céu está lindamente azul
À porta vejo todos entusiasmados a conversar
Eis mais uma doce manhã
Manhã que com gratidão vou sempre guardar






* Não sou poetisa. Fiz esse texto a pedido de uma amiga, ela precisava de uma "poesia" que falasse sobre a escola dominical. Não hesitei, afinal, é falar de uma das melhores lembranças da minha existência. Então, espero que minha falta de profissionalismo (na área poética) não atrapalhe o registro dessas doces manhãs.


24 julho, 2009

Conversa com Diamanso e América




Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente.

Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o SENHOR, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?

E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?

Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos.

Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos.

Deuteronômio 4.6-10


Era pra ser uma entrevista, mas, sem sombra de dúvidas, ainda não sei fazer isso; contudo, foi um agradável bate-papo de mais de duas horas.

Diamanso é alagoano, um típico nordestino com aquele agradável sotaque e peculiar entonação na voz. America é paulistana, mas filha de nordestinos. Seu sotaque se remete aos ares paulistas e tem um jeitinho manso e doce de falar.

Eu estava ali com a missão de apresentar o Paralelo 10 a eles, colher suas impressões e de lambuja pedir uma música que falasse a respeito do projeto (idéia da Lora, é claro!). Comecei bem, interrompi o sono do Diamanso, e minha vergonha, que quase nunca aparece, deu as caras. Mas aos poucos fui me sentindo a vontade, afinal, fui muito bem recebida.

Falei bastante sobre o projeto e seus objetivos, mas aos poucos o assunto foi tomando outros rumos, o que foi muito bom. O casal compartilhou histórias marcantes da caminhada deles no serviço ao próximo, compartilharam dificuldades do caminho e falaram de como há uma grande necessidade de vivenciar um fé verdadeira para não desanimar.

Muitas palavras me impactaram ali, especialmente a preocupação daquele casal em não deixar que se perca a real motivação da missão integral. Se não acreditamos na centralidade da cruz de Cristo não passamos de cidadãos levantando a bandeira que está na moda, a da justiça social. Mas qual é o nosso referencial? Porque somos diferente? Nesta resposta reside o significado do que fazemos. Será “trabalho social” ou “missão”? A preocupação da América é mais que relevante, ela alerta para um perigo: “Quando o reino de Deus é a chave hermenêutica há uma tendência de incluir tudo dentro do reino, cabe de tudo, mas quando a cruz de Cristo é a chave hermenêutica apenas Ele cabe ali.”

Falamos de como valores tem sido invertidos. As causas tem sido mais defendidas que o milagre da transformação real que Cristo pode efetuar. Por vezes, levantar a bandeira da salvação acima que a da defesa de direitos pode ser motivo para a acusação de fundamentalismo.

Mas voltando ao nosso foco, norte e nordeste, Diamanso disse achar importante um projeto que desperte a questão da missão integral. Segundo ele o nordeste se sobressai por sua arte, e talvez seja o tempo de incentivar os “artistas-missionários”. O problema é que estando no nordeste tais pessoas não aparecem, as vezes não aparecem o suficiente para sua própria sobrevivência, o que faz com que muitos deles tenham que se voltar para o eixo Rio-São Paulo. Eis o nosso desafio, evidenciar tantos talentos e iniciativas escondidas nas regiões norte e nordeste.

A tarde foi muito agradável! Ainda tive a coragem de cantar uma música que fiz sobre missão integral (é, na frente do Roberto Diamanso, loucura, eu sei!) O texto de Deuteronômio foi lido pelo Diamanso no começo da conversa e simboliza pra mim o resumo de tudo o que conversamos ali. Saí dali inspirada com aqueles exemplos de vida cristã.

15 julho, 2009

Com lágrima nos olhos



Em ritmo acelerado ou pacato, somos sempre tentados a vivenciar apenas nossa realidade, nossas circunstâncias e nossos desafios, tudo aquilo que está por perto. É sempre mais fácil lidar com o visível ou tangível.

Mas meu trabalho é baseado na distância. Moro em Viçosa, MG, e coordeno um projeto para pessoas do Norte e Nordeste do Brasil. Minhas atividades exigem fé, aquela bíblica, a certeza do que não se vê. Contudo, em alguns momentos Deus com graça nos permite ver reflexos, reações que nos trazem alegria ao coração. Seja nas palavras daqueles que nos escrevem agradecidos em receber os materiais do projeto, seja na voz daqueles que pelo telefone compartilham as dificuldades do sertão ou da floresta longínqua. São momentos de alegria, surpresa e gratidão.

Mas um desses momentos foi especial. Ao conversar com Alexandre, paraense de Marabá em sua vinda à Viçosa (há mais de 2.500 km de sua cidade) pude ouvir com alegria seu envolvimento com a missão integral, sua certeza ao abraçar a proclamação do reino de Deus e seu “muito obrigado” dito com lágrima nos olhos. Emocionante!

Sai do CEM (Centro Evangélico de Missões) maravilhada! Caminhando em direção ao escritório da Editora Ultimato orei a Deus também com lágrimas nos olhos. Agradeci pela maravilhosa graça que me alcança aqui e alcança a tantos irmãos espalhados pelo mundo, por Cristo Jesus o elo que une tantas pessoas na mesma missão, pela esperança que nos motiva no caminhar e pelas belas tardes de inverno em Viçosa.

É bom saber que Deus é o supremo autor da história, seja perto ou seja longe, Ele inspira, anima, alegra e cuida dos que são seus.

12 junho, 2009

Conversa entre nós

o nosso hoje e o sempre de Deus (por email)

Ivny:
Hoje to me sentindo mal...
é que as vezes me irrita essa falta de naturalidade para com a vida, as coisas, as pessoas...
esse meu jeito de ver tudo cinza e de me incomodar com tudo!
de não saber direito o que é a tranquilidade e quando experimento-a sempre a confundo com melancolia...
essa mania de estar mal... esse é meu perfil permanente.
tá, admito que que ultimamente não tem sido assim... os dias tem sido coloridos, o estar mal é passageiro e etc; mas em dias como estes ABSOLUTAMENTE CINZAS eu nem consigo me lembrar... é como se tudo fosse cinza até aqui... fico triste por isso...choro e tenho vontade de sumir.
sumir pq parece que nunca vou melhorar, que sou fadada ao insucesso emocional...e as acusações começam, as mentiras, a dor por acreditar nelas...argh!
só quero que passe, como tem passado nos últimos tempos
só não quero ser triste...ainda que eu fique
quero experimentar a tal alegria de viver, o ânimo pra trabalhar, a energia para amar e assim por diante...
preciso olhar para o alto!

Marquinhos:
Oh amor!! Que vontade de te abraçar e te pegar no colo!! Porque eu sei que nessas horas o que você precisa é de colo, né?
Não fique assim amor, de fato é que esses momentos na sua vida tem sido cada vez menores. Você não está fadada ao fracasso sentimental ou emocional, isso é mentira mesmo!! Lembre-se sempre disso!!
A verdade é que você tem um marido que te ama!! heeheheh A gente tem vivido tão bem!! E tantas outras coisas boas tem acontecido na nossa vida!! Isso é sucesso sentimental!! Não é simplesmente ter que sentir coisas boas o tempo inteiro, mas ter certeza de que as coisas estão acontecendo de forma boa na esfera da ação!!
Negue a si mesma, tome a sua cruz e siga a Cristo!!
E um feliz dia dos namorados pra você, porque maior do que os nossos sentimentos que mudam o tempo todo e as nossas fraquezas é o nosso Deus que faz com que tudo isso seja um vento que passa, reservando pra nós a certeza do derramar das suas bençãos constante e eternamente!!
Um beijo do teu marido que te ama muito!!