06 maio, 2011

Sobre paixão, rotina, novela e vida real


Uma conversa que tive com uma amiga dia desses...

Continuar apaixonado

SE A VELHA fórmula final dos contos de fada “e viveram felizes para sempre” for entendida como “e nos cinqüenta anos seguintes eles se sentiram exatamente da mesma forma como se sentiram no dia anterior ao casamento”, então ela está dizendo algo que provavelmente nunca foi e nunca será verdade, que inclusive seria altamente indesejável se o fosse. Quem suportaria viver nessa excitação toda por cinco anos? O que seria do seu trabalho, seu apetite, seu sono, suas amizades? Mas, é claro que deixar de “estar apaixonado” não significa necessariamente deixar de amar. O amor, nesse segundo sentido – o amor como algo diferente de “estar apaixonado” – não é um simples sentimento. Trata-se de uma profunda unidade, alimentada pela vontade e deliberadamente fortalecida pelo hábito; reforçada (nos casamentos cristãos) pela graça que ambos os parceiros pedem e recebem de Deus. Os cônjuges podem alimentar esse tipo de amor um pelo outro mesmo naqueles momentos em que não se gostam; é o mesmo que acontece quando você se ama, mesmo quando não está gostando nada de si. Eles são capazes de manter esse amor, mesmo considerando que qualquer um deles possa facilmente se “apaixonar” por outra pessoa. Primeiro, o “estar apaixonado” os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado não passa da ignição que lhe deu partida.

– de Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples]

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2009)


Amiga: estas meditações do lewis tão me desiludindo

eu: por que? elas são tão boas

A: ah pois é

mas só dizem q a gente não vai ficar apaixonado o resto da vida, e pronto acabou

isso é triste

eu: haha

claro que não é

vc é que acha que a paixão traz felicidade

por isso parece triste

A: pior q eu acho

ai...triste

eu: "Primeiro, o “estar apaixonado” os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado não passa da ignição que lhe deu partida."

como vc pode achar isso triste?

é como ter medo de crescer

querer olhar a boneca com a mesma intensidade de uma criança

tá, é lindo ver a alegria de uma criança diante de uma vaca

mas por causa dessa intensidade elas tbm não aceitam as derrotas

e odeiam os irmãos por causa de coisas pequenas

a paixão dá calafrios, suspiros... e isso é legal

mas passa... passa sim

e uma certeza tranquila, e uma alegria de manhãs normais

de almoços rotineiros vem

e isso não é triste

pelo contrário, é uma certeza tão firme, tão feliz

a gente não precisa ter medo das continuidades e rotinas da vida... é novela que diz isso

as rotinas são divinas e felizes

se vc tiver gratidão no coração, é claro

A:pois é, eu acreditei na novela.

vou proibir minha filha (se um dia eu tiver uma) a ver novela!

kkk

eu: uma dose de fantasia sempre faz bem ao espírito


Um comentário:

Ana disse...

Criançada pode ver novela e assistir os filmes da DIsney,mas vai ter que ler muito C.S. Lewis e bater um papo com a "tia" Ivny depois.rsrs
Concordo demais com a sua frase:
"uma dose de fantasia sempre faz bem ao espírito "
Não gosto de ver novela,mas os seriados tão aí,né!?